Li uma crônica
da Martha Medeiros, nominada “Testes”, a qual me chamou bastante a atenção e
que foi motivo de discussões posteriores com os meus tios. Nessa crônica, a
autora relatava que num dia qualquer ela estava de bobeira na internet e resolveu
fazer um teste que dizia o seguinte: “O que Freud diria sobre você”. Ela se sentiu
atraída pelo título e resolveu testá-lo, literalmente. O resultado, de primeira, agradou a autora.
Ela se identificou muito com a mensagem, a qual dizia que os acontecimentos da infância
dela tinham-na marcado até os seus doze anos de idade e que depois disso, ela
tinha começado a buscar conhecimento intelectual para o seu amadurecimento. Martha
concordou, pois era exatamente isso o que havia acontecido com ela. Porém, para
‘testar o teste’, ela resolveu fazê-lo de novo, só que trocando as suas
respostas a fim de verificar se realmente dava para confiar no teste ou não. O
resultado disso foi um desapontamento, pois Martha se sentiu uma otária depois de ter visto que o
resultado do teste foi exatamente o mesmo que ela obteve na primeira vez, ou seja, a mensagem era a mesma para todos.
Isso me fez pensar e concordar
com o que Martha relatou posteriormente: o teste, de fato, ESTAVA CERTÍSSIMO.
Por quê? Porque SIM. Não interessava o que havia acontecido com ELA na
infância, se ela havia recebido mais ou menos amor dos pais, se ela havia sido excluída
na escola, se ela havia brigado ou não com alguém; o que interessava era que
TODOS tinham uma infância guardada, a qual foi marcante até os doze anos de
idade, e que TODOS passaram a buscar e ter uma evolução a partir disso. No
entanto, a diferença está no que eles aprenderam e qual o reflexo que essas pessoas passam para a sociedade hoje, seja através do comportamento, seja através da
maneira como se defendem e vêem as coisas, ou até mesmo, no que fazem ou deixam
de fazer.
No final de sua crônica, Martha
conclui dizendo o seguinte: “a vida não é original, ela é repetitiva, e até
Sartre, que não era psicanalista, matou a charada quando disse: ‘não importa o
que fizeram com você, importa é o que você fez do que fizeram com você’. E é
exatamente nesse ponto que quero chegar. Muitas pessoas são do jeito que são
devido à forma com que decidiram ou foram doutrinadas a levar a sua vida a
partir do que viveram até os seus doze anos de idade. Não falo isso com
propriedade de uma estudante de psicologia ou como uma especialista nesse assunto, pois
não sou, e até digo mais, assumo que sou leiga nele. Porém, de acordo com
o que li nessa crônica, passei a me questionar sobre o comportamento e a
decisão de muitas pessoas, e, inclusive, a comparei com o caso de uma adoção, por exemplo: certos casais têm receio de adotar alguém por ‘medo’ de estas crianças, quando
crescerem, se rebelarem contra eles ou assumirem uma personalidade inesperada
pelo simples fato de terem passado por algo na infância ou por terem tido pais ‘assim
ou assado’.
Ok, sendo mais direta e objetiva,
quero dizer que o que passamos durante a infância possui grande influencia no
que somos hoje, sim. E, inclusive, acredito que isso pode justificar muitos
comportamentos, atitudes e pensamentos que vemos por aí, mesmo que estes sejam
criados e realizados de maneira subentendida pelos autores. Mas a minha crítica
referente a isso diz respeito ao NOSSO grau de amadurecimento. Cabe a nós nos
moldarmos e decidir o que absorver e abstrair dessa nossa primeira experiência
de vida, que, na maioria das vezes, não passam de flashes e histórias contadas
por tios, avós e etc. A famosa expressão de ‘dar o troco’, por exemplo, é
praticada por muita gente, e atitudes como essa, infelizmente, até teriam
explicações, mas não justificativas. Penso que vai de nós querer ou não fazer o
mesmo para os outros; vai de nós tentar ser alguém melhor, mesmo que no passado
tenhamos tido momentos ruins e situações negativas. Se não pensarmos assim, se não
tentarmos mostrar o outro lado da moeda sem requerer algo em troca, imagine no
que se tornará o comportamento das pessoas daqui um tempo, que por sinal já está num
estado crítico né. Talvez a recompensa não venha a olho nu e muito menos de
imediato, mas penso que uma atitude dessas, que para muitos pode ser muito difícil
e para poucos fácil, pode ser tornar um grande reflexo para o futuro, sei lá.