Como muitos dizem, sou uma pessoa que passa tranqüilidade àqueles que estão por perto. De certa forma, eu até concordo com isso. Tenho essa ‘coisa’ de querer e de gostar que as pessoas se sintam bem num mesmo ambiente em que eu esteja presente. Na verdade, o fato de eu passar “essa” impressão para as pessoas, acredito que é devido à maneira como eu penso e encaro muitas situações. No entanto, isso é ruim para mim, pois para eu conseguir amenizar e manter esse ambiente ao qual eu tanto desejo, muitas vezes, passo por cima e ignoro minhas próprias vontades e desejos. Penso em evitar uma sobrecarga, um constrangimento e/ou um clima pesado para alguém, e acabo ‘escondendo’ o que, de fato, me incomoda naquele momento.
Quando eu era pequena, costumava ficar quieta para algumas coisas. Deixava de falar e afogava aquilo que estava me incomodando; guardava pra mim! Talvez hoje eu ainda carregue um pouco disso, um pouco desse meu lado de ‘privar’ e de ‘conter’ as palavras, os gestos, as atitudes e os pensamentos em consideração (desconhecida e desmerecida, muitas vezes) a algumas pessoas. Aliás, AFIRMO que ainda carrego um pouco disso comigo, porém, vejo uma evolução a cada situação enfrentada. Aos poucos, acabo amadurecendo essa idéia de pensar que as coisas não são tão simples de serem resolvidas como eu acredito que sejam, de que as pessoas não pensam da mesma forma e nem um pouco parecido com o meu jeito de pensar, de que as coisas não acontecem por acaso e sem ter algum motivo específico entrelaçado, etc.
Disse, disse e não disse o que eu realmente queria dizer. O fato é que, por eu pensar diferente, digo, MUITO diferente, faz com que eu fique ‘neutra’ em diversas e divergentes situações. Fico ‘neutra’ por opção, fico ‘neutra’ por conseqüência e fico ‘neutra’, em partes, por julgamento dos outros. Neutra no sentido de me esquivar, de não ter voz em certos momentos, de não transmitir e não alcançar o respeito esperado e de não conseguir aceitar algumas atitudes e pensamentos alheios. Logo, por eu apresentar esse meu lado, às vezes me julgo e me condeno, e, ao mesmo tempo, me vejo uma pessoa diferente entre as demais. Não estou me elogiando ou coisa parecida, bem pelo contrário, até porque fazer isso não faz jus ao que eu mais prezo em tudo e em todos: a humildade. Além, é claro, de que fazer um auto-julgamento não é uma tarefa muito fácil de realizar. Enfim, me vejo como uma pessoa admirada, uma pessoa com uma visão diferenciada, com um ‘jeitinho’ de levar as coisas que encanta a alguns, com uma facilidade de compreensão e com uma flexibilidade perante a algumas situações. Digo isso, pois muitas pessoas já me falaram e, ao mesmo tempo em que “reclamo” indiretamente desse meu jeito “privado” e “contido”, vejo que há um lado bom. Um lado bom que procuro, aliás, tento explicar e mostrar para as pessoas que é possível existir, seja lá qual for a situação. Porém, eis o dilema: convencer os outros de que há esse lado!

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